Parti na manhã de 27 de Agosto rumo a um local desconhecido.
Primeiramente era uma ordem que foi me dada, mas hoje vejo que era mais
que minha obrigação para mim mesmo.
Cansei da cidade murada que vivo, simplesmente. A vida nela é confortável,
sem sombra de dúvidas, mas cansei das facilidades da vida dela. Cansei
de conhecer cada palmo e cada pessoa. Cansei de ter que ir ao mesmo
local todo dia ganhar dinheiro. Cansei de ter o máximo de diversão em
festivais e pescaria. Também cansei do luxo que o progresso que o
Império nos trouxe.
Por conta disso, decidi então que deveria conhecer o mundo, e voltar. Não sou um cara aventureiro e social, mas não pensei duas vezes enquanto Joaquim me falava de um pacote para um amigo dele para o Leste. Agorinha a pouco estava com minhas malas em mãos esperando o trem chegar. Agora, estou dentro dele, escrevendo estas notas e observando a janela.
Estou a poucos quilômetros da cidade, mas ainda estou impressionado.
Pela janela posso ver campos cheios de plantações baixas, e homens com enxadas escavando mais locais para as plantas.
Pela janela posso ver tropas do Império marchando pelos campos em exercícios. Usando espingardas, baionetas e um inconfundível uniforme preto e escarlate, sua aparência era assustadora. Não é tão difícil imaginar a facilidade deles para dominar este mundo.
Pela janela vejo uma minúscula vila de cinco casas e uma capela, aonde o padre conversava com os moradores e crianças brincavam com cães.
Vejo a floresta. Misteriosa, calma, com seus topos de árvores balançando e o céu cada vez mais escuro. Isso explica a ausência de animais, escondidos em suas tocas para proteção da chuva. Era um ar sinistro que a floresta transmitia, mas para mim é impressionante, considerando que quase nunca via paisagens como esta.
Então olho ao longe e vejo uma espécie de montanha. Aparentemente possui neve eterna em seu topo coberto por nuvens. Na volta, hei de fazer uma viagem para alcançar seu topo.
Sinto-me uma criança observando tantas coisas. Passei anos vivendo uma rotina desgastante em um local cada vez mais tedioso, mas pela primeira vez na vida fujo sem período de volta, meus olhos brilham a cada coisa vista – apesar de não ter notado a chuva caindo forte e o local aonde vivi minha vida cada vez mais longe. Mas o cansaço de não ter dormido na véspera pela empolgação fala mais alto.
Adormeci. Adormeci sem culpa – a viagem é longa. Adormeci e sonhei com as cidades imperiais, ricas e desenvolvidas. Adormeci e sonhei com os bosques, os campos, as casas pacatas em meio à neve que cai no começo do inverno.
Estou no topo de uma montanha. Fecho os olhos e sinto o vento beijando meu queixo. Fecho os olhos e sinto o cheiro da vida que vem dali, das poucas transformações que o homem fez neste local. Aqui há paz.
Estou na Terra dos Sonhos.
Acordo. O trem ainda se movimenta. Ainda dá pra perceber por cima dele a fumaça de seus carvões queimando. Mas olho para baixo, lá para a paisagem. Ainda chove, e ainda há gotas se unindo na janela do trem, mas desta vez é diferente. Alguns tímidos flocos de neve começam a cair levemente.
A paisagem na minha frente é bem diferente. A floresta de árvores escuras lá embaixo começa a ser coberta pelo branco. Os animais correm para sua hibernação. No céu vejo algumas aves voando longe. Ao fundo, há uma vila, aonde pessoas festejam a chegada do inverno. Talvez pelas gotículas, há um fraco arco-íris se formando por lá. E adentrando o trem, um frio que dava um tom sonolento.
Tomo café para afastar o sono. Observo que as pessoas nos vagões estão lendo jornais, conversando. Poucas vieram do mesmo local que eu e se encantam com a paisagem que temos a frente.
Esta paisagem me transmite algo. Talvez a ideia de que Deus vive.
Então, se ele vive, rezo para que todos estes pensamentos que tive não estejam errados, que não sejam apenas ilusões de um homem que não soube aproveitar tão bem sua vida.
Por conta disso, decidi então que deveria conhecer o mundo, e voltar. Não sou um cara aventureiro e social, mas não pensei duas vezes enquanto Joaquim me falava de um pacote para um amigo dele para o Leste. Agorinha a pouco estava com minhas malas em mãos esperando o trem chegar. Agora, estou dentro dele, escrevendo estas notas e observando a janela.
Estou a poucos quilômetros da cidade, mas ainda estou impressionado.
Pela janela posso ver campos cheios de plantações baixas, e homens com enxadas escavando mais locais para as plantas.
Pela janela posso ver tropas do Império marchando pelos campos em exercícios. Usando espingardas, baionetas e um inconfundível uniforme preto e escarlate, sua aparência era assustadora. Não é tão difícil imaginar a facilidade deles para dominar este mundo.
Pela janela vejo uma minúscula vila de cinco casas e uma capela, aonde o padre conversava com os moradores e crianças brincavam com cães.
Vejo a floresta. Misteriosa, calma, com seus topos de árvores balançando e o céu cada vez mais escuro. Isso explica a ausência de animais, escondidos em suas tocas para proteção da chuva. Era um ar sinistro que a floresta transmitia, mas para mim é impressionante, considerando que quase nunca via paisagens como esta.
Então olho ao longe e vejo uma espécie de montanha. Aparentemente possui neve eterna em seu topo coberto por nuvens. Na volta, hei de fazer uma viagem para alcançar seu topo.
Sinto-me uma criança observando tantas coisas. Passei anos vivendo uma rotina desgastante em um local cada vez mais tedioso, mas pela primeira vez na vida fujo sem período de volta, meus olhos brilham a cada coisa vista – apesar de não ter notado a chuva caindo forte e o local aonde vivi minha vida cada vez mais longe. Mas o cansaço de não ter dormido na véspera pela empolgação fala mais alto.
Adormeci. Adormeci sem culpa – a viagem é longa. Adormeci e sonhei com as cidades imperiais, ricas e desenvolvidas. Adormeci e sonhei com os bosques, os campos, as casas pacatas em meio à neve que cai no começo do inverno.
Estou no topo de uma montanha. Fecho os olhos e sinto o vento beijando meu queixo. Fecho os olhos e sinto o cheiro da vida que vem dali, das poucas transformações que o homem fez neste local. Aqui há paz.
Estou na Terra dos Sonhos.
Acordo. O trem ainda se movimenta. Ainda dá pra perceber por cima dele a fumaça de seus carvões queimando. Mas olho para baixo, lá para a paisagem. Ainda chove, e ainda há gotas se unindo na janela do trem, mas desta vez é diferente. Alguns tímidos flocos de neve começam a cair levemente.
A paisagem na minha frente é bem diferente. A floresta de árvores escuras lá embaixo começa a ser coberta pelo branco. Os animais correm para sua hibernação. No céu vejo algumas aves voando longe. Ao fundo, há uma vila, aonde pessoas festejam a chegada do inverno. Talvez pelas gotículas, há um fraco arco-íris se formando por lá. E adentrando o trem, um frio que dava um tom sonolento.
Tomo café para afastar o sono. Observo que as pessoas nos vagões estão lendo jornais, conversando. Poucas vieram do mesmo local que eu e se encantam com a paisagem que temos a frente.
Esta paisagem me transmite algo. Talvez a ideia de que Deus vive.
Então, se ele vive, rezo para que todos estes pensamentos que tive não estejam errados, que não sejam apenas ilusões de um homem que não soube aproveitar tão bem sua vida.

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